Arte, porque a vida por si só não deu conta dela mesma





domingo, 20 de outubro de 2013

ERA UMA VEZ

nossos pés sempre sempre sempre  
se souberam, se sucumbiram, se saborearam
se bebiam
se buliam 
se engoliam
se tocaram: era amor
desde a primeira vez que roçaram 
subindo do pé a serra ali da estrada
súbita chama percorria 
subia as pernas alastradas
subia até o ponto alto 
erguido da paixão
da cintura pra cima tudo virou nada
vácuo espaço vazio imensidão
talvez poeira no porão
puro pó
pulso parado podre coração
talvez a telepatia tenha entornado as cores
talvez a televisão tenha nos visto o tédio
talvez o telefone terá tolo tocado 
tocado tocado tocado tocado 
torrado o saco dum lado
d'outro 
talvez tenha tórrido torcido tripudiado
talvez...
toc
toc 
toc
talvez tenha se tocado ali que não morava mais nem...
nenhum...
trocado é palavra vazia
valor precisa é do(ação)
viver vivo no vivente
pra trocae até escova de dente
pa ra pá pá pow no pé
tum 
tum
tum
Você sabia que no ser humano o coração é a primeira coisa que nasce e a última que morre? (berra, arde, escorre)
trim
trim
trim
cortou cordão caiu a ligação
ou nunca h(ouve)
era cada um numa estação
piuí
tic
tac
passou o trem entrei noutra direção
Talvez a falta - é fato - dum ato
talvez um fio arrastado
talvez o descaso descase 
ou case 
des com afeto
talvez nada concreto
talvez tudo
talvez se fôssemos outros...
talvez mal gesto
mal gosto
tudo gasto, 
talvez tudo, 
tudo muito pouco batalhado
dim
dim
fim da linha
talvez
FIM

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