Arte, porque a vida por si só não deu conta dela mesma





quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Amor de papel




Pra acabar com esse amor de papel

dá aqui um lápis ou um pincel
dá dó riscar você


dou ré e penso si...


lá vou eu
mi embolo escrevo um compasso
amasso o esboço e começo


tudo de novo


si mi dó si mi ré si mi lá
sem fé não dá


jogo fora o anel
desfaço esse papel
e (re)ciclo
e um sol mi dá
vontade de epifanar
numa nota sola
essa música
que em si está






elA

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ih, pingou, escorreu, escoou, sumiu, morreu

Talvez por isso eu não te dê nem mais pingos nos is
Por toda dor que já me deu
Por todo viço que roubou
Agora eu quero dobrar um papel de despropósito
e carregar no bolso da camisa
bem n'altura do peito.
O resto, dizia minha vó, sai no xixi.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

ENTRADA FRANCA

Tudo passa ligeiro
Passageiro da partida
Vice é versa
Disse o inverso
Vide a vida
Não devolve ingresso

A escola da esquina - ou Poema Canção III

Aaaahhhhh Como eu já sabia
De toda essa poesia quando te deixei pra trás

Carolina Patrício
que eu já não sei mais
Carolina
Me-ni-na
A escola da esquina é a menina que ainda tenho em mim
É a rima do parque de areia gramado na quadra o queimado a magueira criança fagueira em dia de verão
Carolina
menina do meu coração
Carolina Patriício

que eu já não sei mais
Como eu já sabia
de toda essa poesia quando me deixei pra trás
ah essa menina

é sentido é abrigo
tempo ido no vento
é um sopro só

de um pouco de vida
sem centelha de tanto faz

Carolina Patrício
Começo Um
do início de mim

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

, que te amo em segredo e segrego um pouco de mim.



Esse lago, esse largo, esse laço, que não desfaço enfim,

que te amo em segredo e segrego esse pouco...

domingo, 29 de maio de 2011

Amor Platônico - ou Poema Canção II

o amor aquece a alma
mas num dia de frio
quem me abraça é o vazio
e o travesseiro é companheiro
dessa minha dor

que o meu poeta fingidor inventou
eu puxo o cobertor
e me ponho a sonhar
sonho num canto
que brinco no entanto
de ser o ar 

da sua bolha de sabão
de ser o mar que leva o brinco então
pra yemanjá rainha 
me levar até lá
que esse meu amor é lá lá iá lá iá
é poema canção
que brinco de amar...
que sonho que canto
que brinco que encanto
que amo sonhar
ai como é bom inventar 

uma poesia, um amar, pra se distrair.
amor platônico
sem dono sem dano
amor sem engano
amar sem perder
amor só de um
sou só seu sem ser

eu sem você
ai como é bom inventar
uma poesia, um amar, pra se distrair
yemanjá rainha
me leva lá
que esse meu amor é lá lá iá lá iá
 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A DEUS! - ou poema oração

Escuta aqui!!!!!

Vocês aí tão longe
que algo em mim se esconde
pra não dizer adeus

Vocês aqui tão perto
que algo  em mim deserto
pra não dizer adeus

Vocês aqui tão vida
que algo em mim partida
pra não dizer adeus.

Vocês aqui tão morte
que tudo em mim é corte
pra não dizer já deu.

Vocês três cinco ou seis
que algo de mim leveis
pra não dizer a Deus.

em memória de Flavia Selbovitz, Sergio Luis Gelio, Pedro Gelio, Alberto José de Mattos e Camila Monteiro.
em memória de alguns vivos que também morreram...

Esses ecos

enquanto isso você escorre cachoeira aqui dentro
e eu já nem tento entender
esse eterno que fomos
tão terno 
teu toque
tão choque 
tão tenro
se não fosse esse infante que somos...


enquanto isso você desaba pirambeira aqui dentro
e eu já nem tento entender
esse demasiado que fomos
tão oceanos
tão danosos
tão humanos
se não fosse esse infinito que somos...


enquanto isso você inflama fogueira aqui dentro
e eu já nem tento entender
esse espelho que fomos
tão alma
tão lama
tão cama
se não fosse esse inferno que somos...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

BAR

e aqueles corações líquidos,
cada qual numa mesa do bar...
um tinha um chopp gelado
o outro, um cigarro
cada qual na sua mesa do bar
esfriava sua alma inflamada
Olharam-se.
convidaram-se tão mutuamente
flertando ainda sem saber com o quê
alguns chopps adiante e um cinzeiro afogado em mágoas...
Viram-se.
um coração líquido percebeu -se bem ali
no espelho dos olhos daquele desconhecido
Encontraram-se.
olharam e amaram
amaram tão sinceramente
tudo o que ali doía.
Liquefeitos, liquidados.
- Mais um chopp, por favor!
amaram tão sinceramente
cada cinza que caía.
- Deixa eu beber um gole seu?
E cada pedaço de morte.
- Me dá um trago seu?
Cada resto.
Cada um naquela mesa do bar.

Consumidos, consumaram-se.

domingo, 8 de maio de 2011

REBANHO

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O egoísmo é inerente ao indivíduo, não ao ser HUMANO. A solidão, essa sim, é natural do homem. O que não adianta é reagir a ela com a redoma do desejo de rompê-la ou ludibriá-la. Você pode se tornar um egoísta ou um altruísta hipócrita. E você pode não tornar-se. Todavia, convém prudência pra não virar um refém de todas as coisas. Em todo caso, ou acaso, apenas esteja. E se for pra estar no rebanho, que não seja por solidão, mas por escolha de consciência.