Arte, porque a vida por si só não deu conta dela mesma





quarta-feira, 26 de setembro de 2012

0,5

tinha uma vírgula no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma, virgula no meio do caminho tinha, uma vírgula no meio, do caminho tinha uma, no meio do cam,

domingo, 16 de setembro de 2012

Pessoas

Pessoas falam o que querem, ouvem o que querem e assim mantém em conversas monológicas masturbatórias de egos pseudointactos

MOM & SON

Mais uma da série DIÁLOGOS DE FILHO DA MÃE

SON  - "Mamãe, fiquei tão feliz de ver meu paizinho de novo!" 


MOM- "É, filho? Matou a saudade?"


SON - "Não, mamãe, a saudade nunca morre!"


MOM - "Ah... A saudade nunca morre?"


SON - "AH! Não sei, quem sabe disso é Deus, ou sei lá se ele falou pra..."


MOM - "Não, filho, eu achei bonito isso que você disse! Que a saudade não morre."


SON - "É. Mamãe, eu acho que a saudade só morre quando a gente morre."

MOM - "Ah, tá... E quando a gente sonha?"

SON  -"ELa não morre... Eu acho que o sonho é a saudade que a gente tem. Eu sempre sonho com o desenho do Naruto, com o capítulo que eu não consegui ver."

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

FÁBULAS DE UM FELIZ DE UM FILHO DA MÃE

ANTES DE SAIR

SERGINHO - Mamãe, vamos logo pra Livraria Cultura?!
LELÊ - Já vou, só estou terminando de comer
SERGINHO - Vovó Claudia e vovô Paulo também foram pro fashion mall. tem um evento lá
LELÊ - Eu sei. É de moda!
SERGINHO - E você também vai aproveitar pra ir lá?
LELÊ - Vou.
SERGINHO - Oba!!! Tô tão feliz! (muito esfusiante)
LELÊ - Nossa, rs, por que essa felicidade toda, filho?
SERGINHO - Ah, porque você não vai só me levar na livraria! Você também vai se divertir! Tô muito feliz! Feliz por você!
LELÊ - Filho, eu também te amo.
E O ABRAÇO FOI INEVITÁVEL

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DEPOIS DE CHEGAR 

SERGINHO - Mamãe, deita comigo pra eu dormir?
LELÊ - Hoje não, já fiz muitas vontades suas hoje. Hoje você deita sozinho.
SERGINHO - Pois é, é que você me fez tão feliz hoje que só falta você deitar abraçadinha comigo pra ser perfeito
LELÊ - Ai, Caramba!
SERGINHO - Que foi?
LELÊ - Pô, Sergio...

SERGINHO - Quê?
LELÊ - Ah!Seu argumento irresistível me convenceu!"

E FOMOS.

sábado, 8 de setembro de 2012

*


                                *

Meu café milionário.




*Flavia Selbovitz in memorian 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Em busca do Teatro Pedinte

"Oi, meu nome é texto novo de agora, eu sou meio longo, dá uma preguiciiiiinha, mas me lê aí, vai, por favor?"


TEATRO: A ARTE DE PEDIR -  ou COM EVOÉ NÃO SE PERDE A FÉ
Aprendi a ser cara de pau fazendo teatro. E não foi no palco ou na sala de ensaio. Foi pedindo ao porteiro do meu prédio pra pintar o banco do play - "... que é pra usá-lo numa peça..." - pedindo ao outro porteiro pra ensaiar na ante-sala da sauna (já que eu me desentendi com o síndico arrogante, que mora no primeiro andar e me proibiu de ensaiar no salão de festas que fica bem embaixo do quarto dele), pedindo  a mesinha retrô que minha vizinha de porta deixou no hall, pedindo a moldura enorme e a cristaleira digna de antiquário que foi guardada/esquecida na garagem pelo cara do 701. 


Com os colegas de trabalho, a mesmíssima coisa.
No teatro pobre - e não faço aqui nenhuma ligação direta a Grotowski - aprendemos uma série de expressões muito utilizadas pelo operariado jovem do teatro. São eufemismos muito afetuosos ou estimulantes os utilizados quando, na verdade, se quer dizer: tenho um trabalho mas nenhum dinheiro pra você. "É no amor" , "É na raça" - ou, no modus cariocão,  "É na camaradagem" - são os termos que introduzem um convite de trabalho. Eu já apelidei esses convites de "proposta indecente" . É lógico, a proposta vem bem feita num tom bem animado que é pra aliviar bem o impacto do nenhum dinheiro.  E é chamada de indecente pra já ali diminuir a expectativa. Então é por aí que se segue a descrição da tal  incrível idéia/projeto com verba nenhuma.
É assim mesmo o discurso pedinte: disfarçado de convite ou descontraidamente chamado de "propostinha indecente". Diminutivos também são eficazes. Você disca o telefone, escolhe o tom de voz perfeito e lança essa pra sua colega-atriz, seu amigo-produtor, seu conhecido-diretor ou seja lá quem for a sua ficha técnica camarada. Ah! Tem também aquela máxima: "Vai ser bom pra você, vai mostrar seu trabalho, fazer girar o seu nome..." - Sim, o sujeito te chama pra mostrar seu trabalho e girar o seu nome no projeto autoral dele sem te pagar nenhum vintém. Nem passagem. Nem ticket alimentação.
Assustou? Escravidão? Não, meu bem, não... Que é isso?! Nem pense numa coisa dessas! Os escravos não pagavam pra trabalhar e mal ou bem, ali na senzala tinham moradia e alimentação. Pra artista, nem senzala, viu? Mas olha... Sem revolta! É assim mesmo. Mas olha... Sem conformismos. Eu também acho tudo isso o cúmulo! Mas olha...

No amor e na raça, já pedi e fui pedida. Confesso que tenho mais cara pra pedir bancos do play , ante-salas de sauna e molduras enormes da garagem do que gente (Sim, não se espante, poxa, esse nosso povinho de teatro também é gente). 

Mas foi pedindo que minha timidez desceu pelo ralo. E desceu mesmo. Aos quinze anos eu não comprava nem um pão de batata na cantina da escola.  Eu tinha uma amiga - Luiza Rêdes, não me desminta - pra fazer isso pra mim. Era a Luiza quem comprava meu pão de batata com requeijão e meu mate.

Graças ao teatro sem patrocínio não me resta mais um pingo de vergonha nessa cara.
Dioniso abençoe meus porteiros e vizinhos (e tb outros passantes bem aventurados que atravessaram meu caminho com generosidade - ou pena).

É de extrema importância ter atenção às morais de toda essa história que, por mais que pareçam, não são tão balela assim:
Moral da história 1: É pedindo que se aprende.
Moral da história 2: É pedindo que se perde a vergonha na cara (mas a dignidade jamais, a não ser, seu imbecil, que depois de tanto pedir você não entre em cartaz)
Moral da história 3: Teatro se faz pedindo. 
Moral da história 4: Se nada der certo, teremos diploma pós doc pra arrumar um trocado no sinal.

Deu pra sacar? O lance é o seguinte: como um bom operário de arte, você está fadado a ser um pedinte. Mesmo fazendo teatro classe média. É raro teatro rico, ou você atende pelos sobrenomes Müller, Botelho ou Falabella?

Resigne-se. Ajoelharás eternamente aos pés de apoiadores, patrocinadores, aprovadores de icms e rouanets. E entre alegrias e dores, a única esperança para nós gozadores sofredores, é que partindo de café três corações, donnana, paitrocinios e playgrounds, um dia chegamos a Era dos Brás. Mas não se anime: com verbas  Petro ou Eletro, nossa luta nunca jaz.
E preste atenção: se você não chegar lá tão cedo, não desista. Continue pedindo. Lembre dos seus amigos de infância. Algum deve ter virado diretor de marketing de uma empresa fodona (no seu caso, qualquer empresa mequetrefe também serve, só pra começar, vai). Ah...  A empresa não tem o perfil do projeto? Hummm Imaginei. Sa-bi-a. Experiência. Mas é uma empresazinha mequetrefe mesmo, hein! Mas a culpa é sua. Você devia ter feito melhores amizades na infância.
Faça o seguinte: planeje-se. Matricule seu filho num colégio de milionário. Peça bolsa. Peça integral. Você sabe como fazer isso. E peça mesmo. Você precisa ter alguém pra quem pedir dinheiro quando ficar velho.
Ah... Não tem filho? Nem quer ter?
Continue. Ore. Peça pra Apollo, pra Dionioso,  Stanislavski, pra Paulo Autran, pra Sergio Brito, pra Cacilda Becker, pra Nietzsche, pra Jah,!!!!! Peça até pra Deus!!!
Jesus!!!! Alguém há de lhe escutar! Agora, se ninguém de atender...  ou é problema da Tim ou você tá fazendo alguma merda!

Peraí! Pára tudo! Entrou no crowdfunding e conseguiu uns cruzados de réis pra levantar os custos básicos da sua peça? Ih! Descansa não! Tá pensando o quê? É brasileiro? É carioca? Não tem nenhum ator famoso ultra global na sua peça que é uma obra prima? Então não vai precisar pedir mais nada. Agora, meu bem, vai ter que IMPLORAR por público. Merda lá!

Bem... quer um segundo pra respirar? Um só. Estou terminando mas tenho mais a dizer. E por favor, não me deixe falando sozinha.  Por favor, vai? Sei que texto longo dá preguiça, mas... pô, se coloca no meu lugar? Se colocou? Posso prosseguir?

Então... Por tudo isso, seu pedinte, lembre-se sempre dos designios da Bíblia que fazem referência aos seus semelhantes e nunca, veja bem: NUNCA trate mal o menino das bolinhas no sinal. Ele poderá ajudá-lo com perspicazes lições e ainda te ensina uns malabares pra você colocar no prólogo da sua peça contemporãnea. Só, por favor, nunca use "Tia" como vocativo. Nem "Dona", eu lhe rogo. Ah! Também não faça aquela cara de cão abandonado morto de fome e chutado. Não funciona. Dá até raiva.



Agora eu vou partindo porque tenho um edital pra preencher. Pedir por escrito é bem menos constrangedor, bem mais chato e com só 10 anos de teatro e nenhum nome de alto escalão da nata do  do TBC (Teatro Blasé Carioca) ou do TQBC (Teatro Quase Brodway Carioca) na direção - já que a direção sou eu - dificilmente vou ganhar essa budega. Mas há os milagres. E até conheço a amiga de uma amiga de uma abençoada. Serei ungida. De vinho. Por Baco*. Não perco a fé. Continuarei pedindo. Evoé! 

*Baco, por favor, Baco. Tenha misericórdia de minha alma. Prefere que eu te chame de Dioniso? Eu chamo. 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A BRECHA



Desses rabiscos... os meus... seus... idos.
Dos sentidos dos sentimos das idéias fingimos?
Desse ar que se inspira, do que se aspira, o que nasce em mim e se
expõe
essa impressão expressa, se apressa!
 Me dá um lápis!
zzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
Já foi.
 
A sensação de ser que se transforma e es(vai).
O tempo é.
Do que estou eu - você
do que
está em mim do que se faz em nós do que se torna palavra do que se faz
verso,
do que se exprime, doqueseexpreme,
dessa dor que 



SORRI




e te convida:







Pode entrar, a porta está aberta.


elA

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Tudo que bate dói.

Uma dose de lembrança bate
Liquidi(fica)dor
Um litro infinito de saudade
Eu entorno, eu bebo e torno a...
mais uma dose
Eu retorno 
Mais uma dose
De você... liquidada
Liquida 
fica 
dor
Bate

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Portando um diploma pós doc na área, sinto-me capacitada para abrir uma Centro de Reabilitação Pós Relacionamento.


CARTILHA DO 22 (PACIENTE)

Li
ção número 1 - Assista filmes debilóides ou suspenses. Uns de terror (bons) tb funcionam.
Lição número 2 - Joguinhos são excelentes. Qualquer joguinho bosta serve. Até tetrix.
Lição número 3 - Evite falar com gente chata, vc só vai lembrar do(a) Falecido(a) e ainda vai ficar com a FALSA impressão de que o(a) Falecido(a) era o melhor ser vivo que surgiu em todo o Universo desde o Big Bang
Lição número 4 - Convença-se de que essa impressão É FALSA! Repita 147 vezes É FALSA!
Lição número 5 - Protele um pouco ir pra cama com qualquer outro sujeito(a) ou você vai ficar com a FALSA (você já se convenceu q é falsa, se não, repita mais 43) impressão de que o(a) Falecido(a) é/tem a pica/xana das galáxias.
Lição número 6 -Se estiver precisando trocar o óleo, procure um(a) verdadeiro(a) pica/xana das galáxias.
Lição número 7 - Você já devia ter feito isso antes, mas troque no seu celular o nome do(a) Falecido(a) por VOCÊ MERECE COISA MELHOR.
Lição número 8 - Dependendo do seu nível de desequilibrio, obsessividade ou compulsão afetiva, espatife seu telefone. Ligar para o individuo não colabora com o tratamento.
Lição número 9 - Se você for desequilibrado tipo Atração Fatal ou Anticristo, limpe a sua conta bancária, vc não pode ter dinheiro para pegar um taxi, surgir na casa do(a) Falecido(a) e pegá-lo(a) com outro(a).
Lição número 10 - Se você, seu idiota, for até lá e pegá-lo(a) com outro(a), convença-se de que você não é um idiota (a não ser por estar fazendo esse papelão). E aliás, você é muito, enormemente, infinitamente melhor do que esse(a) periguete/bosta que seu/sua ex tá pegando só pra matar aquela carência ridícula dele(a). Convença-se disso. Se você for realmente muito melhor do que esse lixo que tá na sua ex cama, nem será necessário muito esforço.Você não precisará convencer nem a você e nem a ninguém. disso. Todos os seus amigos, amigos dele, amigos dela, o mundo todo saberá disso: você é infinitamente melhor. Você é incrível.Você é fodarástico(a)..
Lição número 11 - Antes de ir embora da casa do(a) Canalha, aproveite que você é desequilibrado(a) tipo grave e quebre todos os copos e pratos da casa (que afinal, são seus e você tem todo o direito de fazer isso). Assim, você vai gastar sua raiva, vai se sentir vingada e não vai precisar machucar ninguém.
Lição número 12 - Se você for homem, não faça isso. A não ser que você queira dar um ataque de bichisse. E nem os gays ficam interessantes tendo ataque de bichisse.Você não tem útero, você não sangra todo mês, vocÊ não é o Anticristo. Você não tem direito a ter um ataque desses. Não tem, não tem, não tem, não tem. E nem discute porque eu tô de TPM.
Lição número 13 - Toda vez que sair de casa, vista-se primorosamente. Mulheres, maquiem-se. Não esqueça do perfume. Você vai precisar de elogios pra levantar essa porra dessa auto-estima que tá na merda.
Lição número 14 - Beba, mas não muito, ou você vai contar pro bar inteiro que você é corno.Se vc for alcóolatra, não beba, né, imbecil!
Lição número 15 - Se você não é corno, continue assim, mentir pra si mesmo é sempre a melhor mentira. Renato Russo estava mentindo quando disse o contrário. Aliás, é regra básica. Não coloquei como uma lição na lista porque é tão básica que vem antes do 1.
Lição número 16 - Ah, você não é corno mesmo, com toda a certeza do universo? Foda-se. Mentira. Peça desculpas 
ao Falecido(a) corno(a). Mas  peça por escrito,ou telefone, você tá correndo o risco de ser agredido. E tomar porrada não colabora com o tratamento. 
Lição número 17 - Quando encontrar um amigo em comum, coloque um tampão no ouvido. Mais cedo ou mais tarde ele vai cometer a infâmia de pronunciar o nome do(a) Falecido(a). E isso definitivamente não colabora com o tratamento.
Lição número 18 - Esse mesmo amigo não vai aguentar e quando você menos esperar, vai enumerar pessoa por pessoa que o(a) Falecido(a) está pegando. Dê apelidinhos infames para essas xumbreguetes e furingos pegadores de ex. Eles são de quinta e não merecem que você pronuncie seus nomes. Aliás, que nomezinho nada a ver aquele, né? O apelidinho que você inventou é até bem mais interessante.
Lição número 19 - Vá toda semana a um tarólogo pra que ele te diga que o verdadeiro amor vai surgr em sua vida na semana que vem.
Lição número 20 - Espalhe fotos tamanho 40X60 do seu mais novo amor por toda a casa: você mesmo.Faça elogios.
Lição número 21 - Prove seu amor ao seu amado. Escreva uma carta de amor para você mesmo. O nome disso é amor próprio,
Lição número 22 - Esqueça tudo isso. Faça as malas e vá pro Japão. Eu ia sugerir China, mas achei que seria irresponsabilidade social enfiar mais um desgraçado lá dentro. Se você é aquele desequilibrado grave tipo Atração Fatal, vá para a Índia. A obsessão pelo budismo vai te fazer bem. E agora você protagonizará O Iluminado. mó promoção irada.


 PS: Tenha o mínimo de bom senso ao escolher o filme debilóide. American Pie e suas variações não estão incluídas no pacote. A não ser que você seja homem ou debilóide. Ou as duas coisas.
Ah! Bloquear o(a) Falecido(a) no facebook tb é regra básica.

domingo, 15 de julho de 2012

DOMINGO






















E eu sinto falta de alguma coisa que eu nem sei
Eu nem sei se é falta
Uma harpa,uma bota no chão, umas cervejas e eu nem sei
Quando vou dizer some
Me consome
Sinto sinto sinto sinto
Sinto tanto
Sinto muito
Eu sinto sim
Sinto falta de mim
E ninguém mais pode dizer

Você pode dizer:
- É claro que não!

Se disser que sim eu rio
Eu rio de você sim
Rio sim.
Você não pode dizer
É claro que não.
E a cinza está para cair
Eu... eu... eu...
Eu estou cansada de tanto eu
Desse eu no meu eu
Sinto falta, sinto sim.