gosto mesmo é do gosto da língua
do sonho que me pega acordada
sinto voar nas asas do vento
a noite nua entregue à lua audaciosa dá
de coçar borboletas na minha cabeça
e em todo o resto...
vou poetando toda prosa
rosa vermelha roça
enrubeço!
e ando e ando e ando sem me mexer
poeta ando
poeta ando
poeta ando
poetando sem saber
De súbito vejo!
no ensejo, passo a passo, cheguei a milhares e milhões de segundos de lugares
lunetas, lunares, leminski
comi chocolate numa banheira de ervilhas coloridas
e nem tirei os pés do chão.
Durmo. É quando o tempo me tem na mão.
Arte, porque a vida por si só não deu conta dela mesma
domingo, 9 de fevereiro de 2014
LAGO DO RIO - meu janeiro, 17
Hoje chove um bocado aqui dentro.
Ontem era só rios a cidade
e rios e rios riam do Rio
rios corriam na tempestade
Relâmpagos hiperbólicos,
trovoadas incontáveis decibéis.
Lembra?
Então...
Então...
Hoje chove um bocado aqui dentro.
Um Sakamoto e eu alago.
O lago me bebe largo
eu não apago...
nem água pode mais que minha brisa e brasa.
O cigarro corre aceso no cinzeiro
Tempo.
RAIN
and
more
and
more
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Una película.
Caros,
tengo una gravíssima informacion a revelar:
estoy con una terrible impresión de que mi vida es una película de Almodóvar.
Esto es muy grave. Son atentos? Está leyendo? ¿Me entiendes?
Oh, rogo-te, por Dios!!!! Colores brandas, tramas sin más reviravoltas, maremotos, mujeres y hombres en motos,bocas y ojos rojos e revolveres. Que más puedo hacer para esbranquiçar las colores, dolores, dolores, dolores, doloreeeeessss? Por Dios, Dolores????. Muchas emociones ya me fueran dadas. Basta!!!!!!
A g o r a q u e r o a c a l m a d e u m a á g u a d e p o ç o
, pois em mim é o movimento lento da sua virada de cabeça. a voz doce à imagem da delicadeza dos fios finos rarefeitos claros cabelos desfeitos. a sua manha da manhã tardia. e toda parte da poesia que eu não poderia deixar ressoar em mim o eco. o eco. eco. eco. o eco ecoa ecoa ecoa escoa escoa escoa escorrega lá na saudade, deságua. cálida. calada. cada. dá? cá. e lá.
escorrega e esquece o rastro o resto o roxo os cacos o caos a mancha na pele da alma marcada. badalada do fim. relógio tardio. tragédia anunciada.
céu negro cântigo. sabiá virou corvo. passarinha perdeu asa. ora borboleta está lagarta. e eu com essa mania boba de plumar passado à nuvem branca, à lua cheia, cobertor de estrelas. essa mania de afago no afeto. afobada pra curar feto.
DEIXA GESTAR
(prosa-poética-continuação-do- verso-de-Gell Macedo)
escorrega e esquece o rastro o resto o roxo os cacos o caos a mancha na pele da alma marcada. badalada do fim. relógio tardio. tragédia anunciada.
céu negro cântigo. sabiá virou corvo. passarinha perdeu asa. ora borboleta está lagarta. e eu com essa mania boba de plumar passado à nuvem branca, à lua cheia, cobertor de estrelas. essa mania de afago no afeto. afobada pra curar feto.
DEIXA GESTAR
(prosa-poética-continuação-do-
Atônito
o tempo parado no meio do caos e dos cacos.
cuida pra não cortar por fora enquanto cata.
pena é a dor não caber na pá e ir ao lixo.
FLORES PARTIDAS
No meu quarto só caco
televisão lançada ao fel
sem power nem cor
desvario, vidros
dor e dó
sem tirar nem por
só pó e pedaços
da janela oca
um pé cortado
corpo caído
carne viva
moída em chamas
hematomas n'alma
o quadro é caos
a moldura, feia e bruta
ruiu na surra
depois, luto
pôs a perder até perdão
a porrada comeu o abraço
afiada no baço
mudo brado
tudo no chão
nada sobra
só sangra
amor quebrado
televisão lançada ao fel
sem power nem cor
desvario, vidros
dor e dó
sem tirar nem por
só pó e pedaços
da janela oca
um pé cortado
corpo caído
carne viva
moída em chamas
hematomas n'alma
o quadro é caos
a moldura, feia e bruta
ruiu na surra
depois, luto
pôs a perder até perdão
a porrada comeu o abraço
afiada no baço
mudo brado
tudo no chão
nada sobra
só sangra
amor quebrado
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
O POMBO
O seu corpo repousava sobre a cama numa aparência inocente e de sono tranqüilo. O ponteiro anunciava dez horas e o sol encontrava espaço para iluminar levemente o céu esbranquiçado. A varanda nua sem cortinas... e os olhos se abriam, e apertados, se protegiam da luz que o dia irradiava fora da menina. Antes mesmo que qualquer movimento fosse desenhado pelo corpo, um pensamento lhe assaltou à consciência, que agora desperta, se via capaz de lembrar: Será que meu pai está melhor? - Tão logo se perguntou, decidiu que não deveria pensar naquilo: Ah, melhor não esquecer isso, vou me divertir hoje. - Aos nove anos, quem prefere pensar em fatalidades a pular corda? Meninos, talvez. Fazia sol, era uma segunda-feira, dia de escola e escolhas e, portanto, melhor seria afastar os maus pensamentos. Havia bons encontros e muitas brincadeiras que lhe esperavam ao longo das horas que ainda iam passar. Ela não queria trazer consigo o peso que quase se propôs ao abrir os olhos.
Decidida a ter um dia feliz, pulou da cama sem preguiça nenhuma. O sorriso já se instalara no rosto com satisfação e glória. Quando ia saindo pela porta do quarto, já extasiada, deparou-se com a mãe. Ela não sabe exatamente como, mas a entrada de caminhada lenta, espaçada e o humor ainda indecifrável da mãe a empurravam de volta para dentro. A avó entrava com passadas mais firmes, mas trazia consigo a doçura de sempre. Seus irmãos estavam sentados cada um em sua cama, recém despertos também, mas ainda um pouco sonolentos: "Mamãe precisa conversar com vocês." - A menina sentou-se na cama. A mãe de frente para ela e a avó ao seu lado. Havia peso naquele instante. O peso do qual fugira no seu primeiro segundo de consciência do dia. Ela temia o que estava por vir mas como por um instinto de auto-preservação fazia expirar qualquer negativa de seu pensamento: "Não é nada, não é nada. Ela não dirá nada de mau.". Tentava, não fazia.
" Papai do céu levou o pai de vocês." - Um impulso vindo do estômago se espalhou pelas pernas da menina fazendo-a pedalar numa corrida que não sabia para onde. Mas ela não se importava mesmo com o para onde, corria sem pensar. Queria, na verdade, fugir daquele instante, sair daquele peso imenso, emergir daquele inferno, como se não estando ali a dor não a pudesse alcançar. Como se fora daquele ambiente, a realidade pudesse mudar. Ela não sabia para onde, mas corria. Aquele corredor da casa decerto a levaria a algum lugar longe dali. Era nisto em que, sem pensar, confiava a menina. Por trás, um braço forte enlaçou sua barriga segurando-a com a firmeza e a exatidão de que precisava. O cólo robusto da avó lhe acolhia o choro engasgado. No acalento daqueles braços que faziam repousar sua cabeça no peito largo, foi novamente trazida para dentro do quarto. Ali, exceto seu pequeno irmão de quatro anos, todos choravam ao ouvir as explicações da mãe: Foi melhor para ele. O médico disse que se o papai vivesse, teria ficado inválido. -" O que é inválido?" - quis saber a menina. - "Invalido é quando a pessoa não pode fazer nada sozinha. Andar, trabalhar, escrever, nem comer sozinho o seu pai poderia." Ela não queria saber disso, a menina. Porque nem doente o seu pai deveria ter ficado. Afinal, todos os pais tinham saúde, andavam, trabalhavam, faziam tudo. Por que aquilo fora acontecer somente e justo com o seu pai? Mas ela não disse nada. Guardou pra si seus pensamentos pois saberia de todas as respostas que os adultos despejariam para conforto próprio. Além do que, todos já entendiam que a hora do papai havia chegado pontualmente para levá-lo. - "Uma noiva caminhando rumo ao altar de braços dados com o o vazio não pode estar sorrindo. E agora? Quem vai me levar para o altar? Terei vestido branco, um véu rastejando infindo sobre o chão, buquê de copos de leite, grinalda de princesa, a música que eu ainda não escolhi... terei um marido a minha espera, mas... quem me entregará a ele? Quem poderá dizer para cuidar de mim em seu lugar? A princesa bailarina não serei mais, ou quem irá chamar-me assim? Os cafunés das tardes de domingo, as histórias deitadas na cama, as rosas ao final das apresentações de balé no fim do ano... uma menina sem isso é uma noiva sem par antes do altar." - Isso tudo acontecendo dentro de sua jovem cabeça até a avó atentar para o pombo que acabara de pousar na varanda: "Que engraçado, ele está ali tão próximo do vidro e não pára de olhar pra cá." Ela entendeu. Olhou para o pombo e percebeu a magia que a avó propunha para transformar o instante. Escolheu então acreditar que naquele pombo que observava atento ao luto de sua família havia um pouco de seu pai. Numa tentativa de comprovar para si sua decisão mística sobre o olhar daquele momento, cutucou o vidro. O pombo não se moveu. Bateu um pouco mais forte, com a ponta dos dedos. O pombo permaneceu imóvel. Espalmou até fazer barulho e finalmente a ave atenta resolveu mirar outro canto. Mas com muita elegância e sem o susto característico da maioria. Virou-se lentamente, deu leves passadas na direção contrária a da menina e voou. Despediu-se a menina ao vê-lo partir.
elA
domingo, 20 de outubro de 2013
ECLIPSE

Que olhar foi esse que me viu?
Me espiou, me despiu?
Olhar de passado de lado
Um presente?
ao futuro me lança
escuro
me espiou?
Que olhar foi esse que me viu?
Descarado!
chamou-me chama
da loucura caudalosa
labareda
espaçosa
agitada
nervosa
preguiçosa de cessar
só ocio neura preciosa
sócia à nebulosa
Que olhar é esse que me navega?
como quem marinheiro ou andarilho aporta ilha deserta?
esse olhar que me explora como se eu floresta?
Olhou com olhar de esguelha
no escuro....
no escuro...
no escudo pulou o muro
e me noite me nua me lua crescente prazer
Descaradamente!
Noite de lua indecente
Me percorre
Cada chama lua minha Incandescente de Áries
Que olhar plutão foi esse que me eclipse?!
evidente
expoente
espreitou
escondido
escorpião
esse olhar que me escolheu me mar me turbilhão?
tremeu
transviu
transou
o verbo no verso do silêncio sou eu
e o olhar me viu sem querer bem que se quis não me ter
esse olhar viu que nada em mim e bebeu
águas profundas
tão fundas
que findas
que lágrimas
esse olhar que me deixa
atrapalhada me fogo n'água
esse olhar que me deixa
clara eu obscuro
esse olhar que me beija
sombrio à sombra que a luz do sol medra escondido atrás do luar
chama
ainda assim
chama
incendeia
a verve
a veia
o seio
descabelo, desaponto, despenteio
meio que sem querer bem que se quis não me ter
ponteiro anda parado sem parar
inércia do agito agito agito
piro pura pirofagia puta pathos pus pela pia
suor e sangue
áries entre si marte entrecortada arte escorpião eclipsada plutão
palavra colapsa
duas meninas...
que o olhar foi esse que nos viu?
na hora!
como se nos visse
como se nos fora
como se fosse embora
passado nos memória
teu olhar me demora o meu
branco escuro
obscuro e brando
meu olhar vazio ali sentado na praça fazendo só fumaça pela boca à mão automática o vai e vem do cigarro, poesia, desgraça.
eu no banco a esmo neve e branca em pleno sol de meio dia, Rio de Janeiro
viro inverno reviro inferno fogo chama marte e plutão
quedo-me queimo e pó
o olhar bem que me olhou bem que me quis não que querer mais e me passou pra trás me virou página
passado
mofo
amargo
amarelada
Ah! O tempo!
Passa marte nuvem plutão sol chuva lua áries escorpião, tudo eu nós no céu constelação!
O tempo também chora quando chuva mas passa vento sol e...
Ora essa! me vê mulher - olha!
a nuvem dissipa e o eclipse passou tão lindo, quem viu?
Que olhar foi esse que me descobriu?
Alessandra Gelio e Paula Uchoa Nunes
Plutão e Marte
Áries e Escorpião
de mãos dadas olhando para o arco-íris nos ver
pequenas sob entre sobre parte até da imensidão
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