Arte, porque a vida por si só não deu conta dela mesma





terça-feira, 10 de setembro de 2013

FAXINA

Esfrega o peito,  tira  o engodo
passa o rodo lava a alma
veja
tudo passa

panos quentes não resolvem nada.

A mar é.

Terá sido meu mal dito mau humor que amaldiçoou o homem que eu chamo de amor?
Tacou-me pedra a troco de palavra
e não por mim,
sim por ciúme ou desafeto
Sim, por um moço descrente e não tão discreto
Foi cíume a maldição!
Tacou-me feia na face uma resposta à la Chico
no bucho do analfabeto, letras de macarrão fazem poema concreto!”
Perguntei-lhe  então:
Sua resposta à bolonhesa vem e vira a mesa do meu amor?
Desgosta do meu perdão pedido?
Mudo o menu?
Emudeço?
Esforços eu não meço!
Peço uma prece?
Só não fujo nem me despeço.
Me dispo de qualquer coisa, até rima, o que for, me diz?
Me dá um giz que risco tudo,
boto um nariz, faço graça,
viro tudo até palhaça na sua mão.
Fico non sense, vivo paixão, viro circense,
desafio, domo o ego e o leão.
Mas não...
Carece nada disso não...
Que no teu aquário sereno, sereio, sou peixe, pedra, pérola,
nado e tudo
no relicário bravo desse amor.

sábado, 7 de setembro de 2013

DEPOIMENTO - A Resposta à paixão que me cabe.



  

Olá, senhor. Venho aqui depor, relatar meu torpor, me expor? Não sei bem o que é isso, doutor. Se é resposta ou se aposta no que mostra o menino poeta sobre a parte que me toca (ou a paixão que me cabe). Não sei se é depoimento o que invento nesse intento. Um inventário? Inventário de amor ou mostruário esmiuçado da paixão? Acusaram-me já de ter roubado um coração. Serei então pré-presidiária? Não foi bem assim doutor. Pode revistar, abrir meu armário. Abre o armário, doutor! Cuidado, pode cair um pouco (um monte) de sonhos. Ui! Caiu ciúme, tormento primário! Desculpe doutor, foi pesadelo mal guardado. E é pesado, eu sei... 
Mas olhe bem. Não sou advogado, nem diabo, nem ladra, eu te juro, doutor! Sou por direito namorada. Não foi coisa roubada, já te disse, não foi bem assim. Não deponho contra mim. Eu conto sem aumentar ponto, que isso tudo foi só encontro sim. Começou banal também sim. Oi? Foi. Foi com um oi, sim. Depois? Ah, doutor... Depois foi palavra depois de palavra, desenhada feito coração no vapor, palavra após palavra, um pouco pueril parece, mas não à dois sós que de lirismo vivem, feito prece, e assim enobrecem toda qualquer coisa que aparece. Palavra após palavra após palavra após palavra após palavra aposta que de repente acontece... dois sapos sonhando principado, casório prenunciado, verso pronunciando promessa após palavra após palavra após foi tudo! Tudo poesia à primeira vista. Olhe bem pra este cenário. Amor a vista, doutor. Ou paixão, seja lá como for. Eu quero chamar de amor. Amor à vista. Não tem crediário, nem furto, flerte sim, mas se algum meliante há, é o inventor desse rumor que roda por aí ao léu me colocando como réu diante do roubo que se existiu foi mútuo e de comum acordo e nos pôs no céu. Eu aqui, que me rôo as unhas, me mordo, me encolho e escolho a todo minuto deixá-lo levar consigo meu coração mesmo que eu fique sem abrigo! Dele eu ardo em saudade mesmo agora que ele ao meu lado repousa seu pulso no meu à cafuné, café e vontade. Foi roubo mútuo doutor! Que prenda então os dois e nos coloque na mesma cela. Não precisa nem janela se assim for. Desse modo eu aceito pena faço confissão peço perpétua. Perpetuação de amar os sonhos que vejo velejarem pelos encantos dos olhos calmos e alma (até parece) tranquila do meu menino. Não paguem fiança, por favor! Tenho fé e confiança na justiça desse amor. Deixe-nos então ali dia após dia vendo que quadrado o sol também pode ser e que estrela temos num quadro. Ele me fará ver o quadro mesmo quando eu quiser ver só um buraco, um abismo, uma cisma, um enfado. Se janela não houver, nem hei de perceber, ele já terá arrumado um giz e o tal quadro desenhado. Ele vai me fazer carícia no ego cada vez que me nego a ser simples e sã. Vai me soprar lembrança: "Venta, coisa linda, que és filha de Iansã!". Vai me me cantar uma delicadeza, uma delícia, vai me fazer viver um era uma vez sempre que minha tez anunciar um revés, sempre quando não houver pão nem violão. Se só restar farelo, vai olhar com esmero e brincar de poema, desenhar uma letra ou caçar uma canção. Cansar nunca, não. Descansar sim. Se nos derem um pano qualquer, um trapo, ou todo dia, que seja, um guardanapo, de nó em nó eu faço um trato de montar uma rede pra ele ficar lá parado olhando nosso quadro. Eu juro que balanço a rede enquanto ele cantarola uma música atrás da outra sem parar. Ele jura pra sempre rimar e remar sobre mim. Ah, e naquela rede a gente mata a sede de pintar a menina Lori pra depois guardanapo virar berço. “Lori vai ter olhos lindos”- ele diz e eu não esqueço. Ele levanta , Lori dorme, enquanto eu balanço e ele cantarola. E ela, já maior, deita e rola em poeisa a três. 
Abre de novo o armário, doutor! Eu sei que tá bagunçado, mas vai ver que ali bem no fundo, junto de tanto sonho embolado, também tem bercário. Tem sim, doutor. Dali onde eu vejo buraco, veremos vênus. Eu e meu homem-menino, filho da constelação de aquárius. Dali nossos corações roubados, réus vitimados, estarão pra sempre guardados, entre um e outro parto, num pacto de quatro paredes. Doutor! Dê-nos uma caneta apenas, por favor, e escreveremos nas paredes nossos amor a quatro mãos: 

“COMEÇO" - A PEÇA
ELA (cheia de si por fora, boba por dentro, toda toda se derretendo) - Ele se move lento mais que atento pra não embaralhar todas a peças de si  que montou com carinho enquanto andarilho, pra não embaralhar todas as peças  de si que montou com jeito lúdico enquanto menino, todas a peças de si que montou com liberdade enquanto desbravador da terra do nunca, sempre acreditando, mais que nunca, mais que ninguém, que tudo é mais que pé na terra e que nada é mais que tudo que de real possam inventar que seja. Por isso, pra ele, numa cerveja ou dez nada há de mal. Que brilho a mais pode se negar a quem quer apenas dançar com as estrelas sob a luz que o sol a lua dá? Ele me diz (cheio de sarcasmo) que eu baguncei o quebra-cabeça porque falo que ele o montou errado. O mais lindo, é que mesmo me achando um anjo malvado por ter tudo desmontado, ele diz: “Me carrega pro teu lado e me ajuda a montar de(novo)?” Eu o chamo sabiá, ele me chama ora passarinha, ora borboleta. Tem hora que a gente se chama anjo, então de quando em quando é um arranjo. O caso é que tudo tem asa e nesse tanto de acasou roubado, eu só peço uma condição: pra gente manter os pés no chão. E ele me diz: "tudo bem, mas deixa a mente voar?". E eu deixo tudo, abro mão e abraço a idéia de fazer o coração sonhar e tudo nessa cela soar caixa de música. 

ELE (sorrindo com os olhos) – Ela é de escorpião mas anda lendo horóscopo de aquário. Tem visto coelho até na lua nova. Está complemente apaixonada...”

De: ora passarinha, ora borboleta
Para: sabiá

DOIS CORAÇÕES ROUBADOS NUMA SÓ CELA

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Um filme, um poema





















Eu ando assobiando
suspirando por aí
Chutando pedra portuguesa
Com uma certeza clara e branca
de que  sim
são as minhas prometidas flores
Isso que a vida traz
Olha tá tudo tão azul…
do céu ao mar
amar é
você meu jazz, meu blues
Eu ando rindo, uma beleza
Faça sol, chuva, que seja,
no meu peito você deita
e é assim que eu tenho paz
Sorrir agora nunca é demais
Eu não preciso de baseado nem  cerveja
você se enrosca aqui me beija
é tudo o que eu quero
teu esmero, teu desejo,
nossa bossa é meu ensejo
Eu ando assim por aí...
Ando deixando tudo
cheia de letra pra escrever
mas na minha poesia só quem vive é você
e não me importa
quero te ler entre os lençois
te ver entrar pela minha porta
e me amar e rimar e remar sobre mim
ando querendo seu cheiro acomodado na minha pele
meu lábio no seu peito no meu bate mais forte
pode ser que sejá só sorte mas
palavra após palavra
aposto que é o amor
que a vida tão certa jogou
e acertou em nós
Quero te ler nos meus lençois
ouvir você tocando em mim
Eu ando assim.. por aí…
Você desenha no meu corpo uma letra,
um poema
Parece até romance de cinema
E mesmo que dispare um alarme,
que o medo todo me trema
Que hora e meia tudo se acabe
Ando pensando que esse filme vale a pena
Ando dançando descalça na calçada
E uma caixa de música que não pára
de tocar aqui dentro
Ando sem lenço, sem  senso
sentindo gosto do vento
ando vendo cores, sabores
deitando e rolando em berço de glória e prazer
tenho tanta coisa pra fazer
ando deixando tudo
É que tudo o que tenho são palavras pra você
Quero te deixar morar em mim
Ando assim por aí

sexta-feira, 5 de julho de 2013

POEMA PRUM DESPERTADOR


Ai sabiá...
Que que é que há?
que assobio mais lindo,
me pegou na esquina
Já lágrima, já indo...
Assobio mais lindo de amar!
Oh o sorriso, pega ali, oh! tá fugindo!
Partindo esse en(canto) de mim.
Ai!  Seu bico bateu com meu e plim!
Ah, sabiá...
Ai, que quase  minguo, mas você me alecrim!
Ah, sabiá...
Que que é que há?
que cada dia mais?
Mais sol nas minhas esquinas
Cada dia mais rima,
mas muito, mais tanto, mais cantos.
Mais eu canto à toa.
Passarinha voa, borboleta!
Ou é leoa no céu, desenhada à pincel?
Que nem nuvem passageira...
Não fala besteira!
Ô! Que que é que há?
É Scorpio e Aquarius sem fel
Noite imensa de estrela
Até coelho tem na lua inteira!
Lua que tá sempre lá
mesmo quando não tá
Ah, sabiá... A lua!
Ela beija devagar seu sono se me abraçar.
De repente até o dia.
De repente até arraiá!
Dança comigo?
Brinca de sertão serpente
Olha a cobra!
De noivinho, de casar!
Brincadeira inocente se desdobra
Olha a chuva, sabiá!
Brincadeira água com açúcar,
sem aguardente, sabiá!
Ah, sabiá...
Que que é que há?
Ai!
Que assobio!
Que arrepio!
Sabiá me cantou me ganhou
Que delícia despertar!
Assobia de(novo), sabiá?

segunda-feira, 1 de julho de 2013

PORTA DE ENTRADA

Que seja doce
que seja leve
mesmo que vento
mesmo que breve
O que a vida trouxe
Que o amor carregue
Esse ar de moça
Um sorriso te escreve

Alegre agora a verve
Ferve, maré mais que linda
Ela, que não se sabe infinda
Bem vinda, sim! Ela vem!
E quando vai me deixa bem.

Bem aqui.
Sem medo mergulho
Bem aqui.
Sem esmo borbulho
Bem aqui.
Feito feitiço no peito
Bem em mim,

tiro do seio uma flor
Bem lasciva sim

Te entrego um segredo:

já sou teu enredo sem fim
sem começo sem meio, vem!

Bem pra mim!
Vem que te faço bem
Que me faço Colombina
Que te faço Arlequim
Bem assim

Bem....
Não há mais jeito
Minha caixa de pandora?
Abras!
Deixo em ti um convite,
um confeito, aceitas?
Te dou meu leito de palavras.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

No poleiro

Ai que medo desse pequeno conto
do ponto em que todo esse tanto
vai desandar o encontro o encanto não quero vela nem pranto só canto

Canta, sabiá! Canta um poema num canto de mim!

Canta que eu vou versando assim, 

meio borboleta, meio querubim, 

sinto no peito a flor do beijo
feito assobio de sabiá afim

Canta, sabiá!

Canta um poema no canto de mim!

O eco de quero-quero quero sim

Encanta um verso um alento entoa

Que esse vento não passa à toa Ressoa na beira de minh'alma enfim
Canta, sabiá!

Canta um poema num canto de mim Que borboleta-passarinha voa
num canto teu pirilimpimpim



quarta-feira, 26 de junho de 2013

que eu deixo você rimar e remar sobre mim

SUSSURO AO PÉ DA SUA LETRA



,e que agora você é meu amor de contexto. Vou te amar durante um texto e prometo saltar na próxima vírgula e sempre fugir do ponto final. Assim se lembre: eu só dobrarei a esquina, sem que meu coração te queira mal. Mas se antes disso, se apressar o ponto do fim, prometo acenar e embarcar no primeiro navio ônibus taxi carruagem que me soprar pra longe daqui. Prometo sonhar durante a viagem que te encontro logo ali. No pensamento, não pago passagem, e feito miragem te deixo morar em mim. Menino da fronte roubada, anjo pintado, minha maré sem fim. Pra sempre eu vou,

A FLOR DA PELE - ou Poema Oração II



Cortesã ou bailarina

Oyá, boneca, pomba-gira
borrão preto ou magia

Tanta coisa você vira

Dependendo de quem vem
Dependendo de quem mira

Pouco vale o que seja
o que eu desejo ou outro veja
Só te sirvo esse poema
e te peço, me proteja
Pra que eu possa ir além
anjo pintado a flor da pele, 
aqui te tenho te verso 
rezo rogo peço:
Me conduz, moça de luz? 
Não importa o teu rosto 
nome o quê de onde ou quem
Daqui me pouso em teu sussurro
soprado o canto (feitiço) do céu 
ao pé do meu ouvido amém!